
Na busca por um cinema com um posicionamento crítico mais apurado e contundente o CineClube Opinião convida a todos para refletirem sobre o processo de Independência do Brasil e os movimentos que a estimularam, além de curtir a uma agradável sessão de cinema.
"Os Inconfidentes" foi, ironicamente, feito na esteira dos estímulos do regime militar brasileiro aos filmes históricos e chegou a ser exibido na televisão como parte das comemorações dos 150 anos da Independência, em 1972.
Mas o que se vê nele está longe de ser convencional, como cinema ou como história. O enredo centra-se principalmente no período de encarceramento dos conspiradores mineiros, e os diálogos são retirados diretamente dos "Autos da Devassa" (documentos oficiais do processo), dos versos dos poetas rebeldes (Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto) e do "Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles.
José Wilker (na época ainda bom ator) faz o papel de Tiradentes, tratado no filme como o único dos rebeldes inteiramente comprometido com as causas que eles defendiam - e, não por outra razão, o único executado pela coroa portuguesa. Os demais são interpretados por um time de atores em estado de graça (Fernando Torres, Paulo César Peréio, Nelson Dantas, Carlos Gregório, Luiz Linhares e Carlos Kroeber)
O diretor Joaquim Pedro de Andrade - "insuportavelmente lúcido", como o define a crítica literária Heloísa Buarque de Holanda - escolheu o episódio histórico para dissecar a participação dos intelectuais na política, num momento em que a ditadura havia imposto uma derrota ao projeto de sua geração. Compacto, amarrado, com uma estrutura complexa e deslumbrante, "Os Inconfidentes" é um grande filme atualmente meio esquecido.
Serviço: O Centro Cultural São Geraldo está localizado na Avenida Silva Alvarenga, nº 548 - São Geraldo (ônibus - 9502, 9211 e 9214). Toda a programação é gratuita.
fonte: http://cinema.uol.com.br/resenha/os-inconfidentes-1972.jhtm
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